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Casa do Sol é restaurada e transforma antiga residência de Hilda Hilst em centro cultural

Imóvel construído na década de 1960 passou por 18 meses de intervenções e agora reúne preservação arquitetônica, memória literária e atividades culturais

Por Redação Patrinu·30 de ago. de 2026·4 min de leitura

A antiga residência da escritora Hilda Hilst, em Campinas, no interior de São Paulo, voltou a receber visitantes depois de passar por um processo de restauração concluído em 2025. Fechada durante cinco anos, a Casa do Sol foi recuperada sem que suas principais características arquitetônicas fossem descaracterizadas. O trabalho durou 18 meses e envolveu uma série de intervenções técnicas destinadas a recuperar a estrutura e atualizar as condições de funcionamento do imóvel. Entre os serviços realizados estiveram a revisão das instalações elétricas e hidráulicas, reparos na cobertura, recuperação do forro e intervenções nos pisos e áreas externas do jardim. Por ser um imóvel protegido pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas, o Condepacc, as obras precisaram conciliar as necessidades atuais de segurança e utilização com a preservação dos elementos originais da residência. A proposta não foi apenas recuperar fisicamente a construção. Com a reabertura, a Casa do Sol passou a funcionar também como um espaço dedicado à memória de Hilda Hilst e à realização de atividades culturais. Novas funções para espaços históricos Parte das áreas externas da propriedade recebeu novas funções. A antiga edícula foi adaptada para receber encontros, eventos e atividades relacionadas à literatura. O antigo canil também ganhou uma nova utilização e passou a funcionar como ambiente destinado à produção artística. As adaptações permitiram ampliar as possibilidades de uso da propriedade sem eliminar as referências que fazem parte de sua história. Dessa maneira, a Casa do Sol passou a reunir preservação, produção cultural e acesso público. O objetivo é fazer com que o imóvel permaneça ativo e conectado à comunidade, transformando a antiga residência em um espaço de encontro, criação e conhecimento. Quarto da escritora ganha espaço de memória Um dos ambientes mais importantes da nova fase da Casa do Sol é o quarto onde Hilda Hilst viveu e trabalhou. O espaço foi organizado como núcleo central da visitação e reúne objetos que ajudam a reconstruir aspectos da trajetória pessoal e literária da escritora. A biblioteca particular, documentos, roupas e objetos utilizados no cotidiano integram a exposição permanente. A organização do ambiente procura aproximar o visitante da rotina da autora e apresentar elementos relacionados ao processo de criação de sua obra. A coleção também reúne registros históricos e materiais pessoais, permitindo conhecer aspectos menos visíveis da vida da escritora e sua relação com a casa. Com essa proposta, o quarto deixou de ser apenas um ambiente preservado da residência e passou a funcionar como um dos principais pontos de interpretação da memória de Hilda Hilst. Um lugar marcado pela produção literária Construída durante a década de 1960, a Casa do Sol foi escolhida por Hilda Hilst como espaço de residência e criação. A escritora passou a viver definitivamente no local em 1966, onde desenvolveu parte significativa de sua produção literária. Na propriedade nasceram trabalhos de diferentes gêneros, incluindo poesia, dramaturgia e prosa experimental. Entre as obras associadas à trajetória da autora está Presságio, além de textos teatrais e livros que contribuíram para consolidar seu reconhecimento na literatura brasileira. A trajetória de Hilda Hilst também foi marcada por premiações da Associação Paulista de Críticos de Arte, incluindo reconhecimentos relacionados à obra Ficções e ao conjunto de sua produção. A casa, portanto, representa mais do que uma construção histórica. O imóvel está diretamente ligado ao período mais produtivo da carreira da escritora e preserva vestígios materiais de sua vida e de seu processo criativo. Patrimônio como espaço vivo A recuperação da Casa do Sol busca evitar que a preservação transforme o imóvel em um espaço estático. A proposta é manter a construção protegida enquanto ela continua sendo utilizada para atividades culturais, educativas e artísticas. A relação da escritora com a Universidade Estadual de Campinas também integra essa trajetória. Hilda Hilst foi a primeira participante do Programa Artista Residente da Unicamp, em 1985, e posteriormente tornou-se patronesse da iniciativa mantida pelo Instituto de Estudos Avançados da universidade. Com a restauração, a Casa do Sol recupera sua função como espaço de convivência e produção cultural. A preservação da arquitetura, do acervo e dos objetos pessoais permite que novas gerações tenham contato direto com a trajetória de uma das importantes escritoras brasileiras do século XX. A reabertura mostra como a restauração de um imóvel histórico pode ir além da recuperação de paredes, telhados e instalações. Quando associada à preservação da memória e à ocupação cultural, a intervenção permite que o patrimônio continue fazendo parte da vida da sociedade.

Com informações de Brasil 247.

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