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Casa da Ópera de Ouro Preto recebe tombamento federal após mais de seis décadas de análise

Teatro histórico construído no século XVIII passa a contar com proteção individual do Iphan e é incluído nos Livros do Tombo Histórico e de Belas Artes

Por Curadoria · itatiaia.com.br·27 de ago. de 2026·3 min de leitura

A Casa da Ópera de Ouro Preto, um dos mais antigos teatros em funcionamento das Américas, passou a ter reconhecimento individual como Patrimônio Cultural Nacional. A decisão foi oficializada pelo Ministério da Cultura por meio da Portaria MinC nº 310, publicada em 19 de agosto de 2026. Com a medida, o edifício foi inscrito nos Livros do Tombo Histórico e de Belas Artes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan. O processo específico de tombamento da construção estava em tramitação desde 1963. A decisão foi tomada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan após a análise do processo e do parecer elaborado pela conselheira Beatriz Bueno. Entre os pontos avaliados estava a necessidade de estabelecer uma proteção individual para o teatro, que já se encontra dentro da área protegida do município de Ouro Preto. O conselho optou pelo tombamento específico da edificação, reconhecendo a importância histórica e artística do imóvel. Teatro mantém sua função cultural Apesar da nova proteção federal, o tombamento não modifica a finalidade da Casa da Ópera. O espaço continua destinado à realização de atividades culturais e permanece recebendo apresentações artísticas. A história da construção remonta a 1769, quando o imóvel começou a ser erguido por João de Souza Lisboa. A inauguração ocorreu em 6 de junho de 1770, durante as celebrações pelo aniversário do rei Dom José I. A edificação possui três pavimentos e conta com plateia, camarotes, frisas e galerias, acomodando aproximadamente 300 pessoas. Sua arquitetura apresenta paredes construídas em pedra e um frontão triangular ornamentado com elementos simbólicos. Na área de acesso estão localizadas as entradas para os camarotes e escadas helicoidais de madeira que conduzem à galeria superior. O primeiro pavimento concentra a plateia e as frisas, enquanto o porão abriga os camarins e um espaço utilizado para receber artistas e profissionais envolvidos nas apresentações. Intervenções preservaram características do imóvel Durante a análise que levou ao tombamento, a documentação histórica e arquitetônica também registrou modificações realizadas na Casa da Ópera ao longo dos anos. Entre as intervenções identificadas estão a instalação de estruturas metálicas, pinturas encontradas durante trabalhos de restauração e outras adaptações feitas no edifício em diferentes períodos. A avaliação realizada pelo Iphan concluiu que essas alterações não provocaram mudanças significativas na configuração original da construção. As características arquitetônicas e históricas que conferem relevância ao imóvel permaneceram preservadas. Proteção específica reforça preservação O reconhecimento individual amplia a proteção destinada à Casa da Ópera. O teatro já estava inserido no conjunto histórico protegido de Ouro Preto, cidade que possui reconhecimento patrimonial em âmbito federal. Com o novo tombamento, entretanto, a própria edificação passa a contar com uma proteção federal direcionada especificamente às suas características e valores culturais. A trajetória do processo foi marcada por mais de 60 anos de análises e discussões. Desde sua abertura em 1963, diferentes documentos históricos e estudos arquitetônicos foram considerados até que o Conselho Consultivo chegasse à decisão definitiva em 2026. A inscrição nos dois Livros do Tombo consolida o reconhecimento da importância histórica e artística da Casa da Ópera e acrescenta um novo capítulo à trajetória de preservação de um dos espaços culturais mais antigos de Ouro Preto.

Com informações de itatiaia.com.br.

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